Contra a onda de mortes de jovens e adolescentes por conta do chamado Desafio da Baleia Azul, o vereador Rinaldi Digilio apresentou nesta terça-feira (25), o Projeto de Lei nº 267/2017, que propõe a criação do Plano Municipal de Prevenção ao Suicídio em São Paulo.
O projeto quer que a Secretaria Municipal da Saúde
crie uma rede para a capacitação de seus profissionais com o objetivo
de identificar e diagnosticar potenciais suicidas, além de oferecer
alternativas de tratamento e promover a divulgação do problema para
conscientizar a população.
Em todo o Estado de São Paulo, o aumento de suicídios entre os jovens foi ainda maior, de 44%, saltando de uma taxa de 3,6 por 100 mil habitantes para 5,2. Foram registrados, de acordo com o Mapa da Violência, 257 casos no ano 2000 e 568 em 2012.
“Por
muito tempo acreditou-se que falar sobre o tema incentivava as pessoas a
cometerem suicídio. O tempo e os dados mostram que não, ainda mais na
era da tecnologia, que afasta os jovens de suas famílias e do convívio
social real, e o coloca em um mundo paralelo, permeado por más
influências”, afirmou Digilio.
Segundo o boletim SP Demográfico divulgado em 2016, a
taxa de suicídios entre a população geral cresceu em 30% no estado de
São Paulo, na comparação entre o biênio de 2001/2002 e o de 2013/2014,
passando de 4,3 por 100 mil habitantes para 5,6. O PL nº 267/2017 prevê
promoções de palestras de capacitação para profissionais de saúde,
exposição de cartazes que mostrem sintomas e alertando sobre o
diagnóstico, canais de atendimento para diagnosticados e atividades para
conscientização.
“Precisamos quebrar esse tabu. Enquanto o Poder
Público não instruir e atender corretamente os cidadãos nesse tipo de
caso, elas buscarão informações em locais nada confiáveis ou pior, na
ignorância, serão levados a cometerem o suicídio porque foram desafiados
ou viram em uma série”, disse o vereador.
Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou o Brasil como oitavo país com mais suicídios, com quase
12 mil mortes anuais e taxa de 6,0 por 100 mil habitantes, crescimento
de 10,4% desde 2000.
Segundo a OMS, 75% dos casos são registrados em
países com renda considerada baixa e apenas 28 nações contam com plano
estratégico para prevenção. Digilio é coordenador nacional de jovens da
Igreja do Evangelho Quadrangular e tem percebido um aumento do problema
em seus atendimentos.
“Praticamente todos os dias, sou contatado por pais
preocupados. São jovens que se mutilam na tentativa do suicídio. As
famílias devem se aproximar, entender o jovem e ajudar a superar seus
desafios. É preciso também que o Poder Público faça sua parte e ofereça
uma rede estruturada para esse problema”, disse Digilio, lembrando que
estudos apontam cerca de 30% de subnotificação dos casos.
Texto do Portal Cristão Mais
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